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O cantor e compositor Roberto Carlos não esconde que está fazendo, há cinco meses, uma psicoterapia para se curar do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) que, como enumera, entre outras coisas, estava o transformando numa pessoa extremamente supersticiosa, a ponto de abolir de seus shows músicas, como o antigo sucesso Ilegal, Imoral ou Engorda.
O Rei, que admite já estar sentindo resultados positivos, conta que seu tratamento não inclui o uso de medicamentos.
- Sei que há casos em que os remédios se fazem necessários. Mas isso não acontece comigo. Faço apenas psicoterapia e já estou vencendo certas resistências ou superstições, como a de não cantar o refrão 'e que tudo mais vá para o inferno', que, na verdade, pertence a uma música que falo de amor, de forma irreverente. Hoje, percebo o quanto esse transtorno obsessivo compulsivo, que anteriormente achava que fosse uma superstição, era ruim e estava me fazendo mal. Porém, essa percepção não tirou todas as minhas manias, como a de não entrar e sair pela mesma porta, diz sorrindo.
Roberto revela ainda que só se convenceu a fazer um tratamento depois que recebeu, no início deste ano, de seu filho Dudu, um recorte de jornal falando sobre o TOC.
- O artigo dizia que quem tem o TOC é um sofredor. E é mesmo. Para quem vê uma pessoa ir e voltar várias vezes até uma porta e não conseguir transpô-la, pode ser engraçado. Mas, para quem enfrenta essa situação, isso é um sofrimento. Demorei três meses, mas acabei decidindo pela ajuda de um psicoterapeuta.
LOUCO POR VOCÊ Esse disco tem bossa nova, boleros... Sempre foi visto, principalmente pela gravadora, como fora do meu catálogo. Como fui tomado um pouco de surpresa com a notícia das caixas, resolvi pensar melhor se devia lançá-lo ou não. Talvez saia numa das próximas caixas.
JOÃO GILBERTO No início eu cantava bossa nova, até um pouco parecido com João Gilberto, porque igual é impossível. Sempre quis tê-lo comigo num especial de fim de ano e faríamos isso agora. Como seria feito no Maracanã, descartei a possibilidade, pois não seria o espaço ideal para cumprir as exigências dele. Mudamos para o Claro Hall, mas foi muito em cima, ele já tinha compromisso. Pena, faríamos um bom número.
INICIO DA CARREIRA Carlos Imperial me ajudou muito. Já tinha procurado todas as gravadoras, só faltava a CBS, hoje Sony. Pedi: 'Bicho, liga para lá, vê se consegue alguma coisa'. Engraçado que ele se chamava Carlos Eduardo Corte Imperial e o diretor da CBS se chamava Roberto Corte Real. Me chamaram, corri para o Lins de Vasconcelos para botar um paletó. Fui lá, conversei com Roberto e gravei meu primeiro CD.
BEATLES Beatles influenciou todo mundo. Todos que ouviam Elvis Presley, Little Richard, Chuck Berry passaram a seguir outro caminho, que a gente nem chamava de rock e sim de iê-iê-iê. Eu incorporei naturalmente essa influência. Ouvia, gostava, procurava compor nessa onda. A música deles trazia algo a mais que o rock'n roll, mais cuidado na harmonia.
QUERO QUE VÁ TUDO PRO INFERNO Comecei a não querer cantar certo tipo de música. Esta é uma canção de amor com uma forma irreverente no refrão. Acho que até mesmo pelo meu transtorno obsessivo compulsivo, não quis falar certas palavras. Durante muito tempo vi minhas superstições apenas como superstições, hoje eu sei que tenho TOC. Minhas superstições mesmo são poucas, muito comuns, como sair sempre pela mesma porta que entrou. São coisas que estão no curso primário dos supersticiosos (risos). Quem sabe eu não volte a tocá-la?
ESPECIAL DE FIM DE ANO Este ano faço algo que gosto muito, que é dirigir grandes máquinas. No caso, uma carreta, numa participação de Stênio Garcia e Antônio Fagundes. Fiquei muito honrado de gravar com eles. Foi difícil contracenar com eles, porque sou um péssimo ator (risos). Temos também a participação de Ivete Sangalo. Não a conheço pessoalmente, mas ela é muito carismática, alegre. É impressionante vê-la cantando. Axé ou baladas, ela faz tudo de forma maravilhosa. É um grande talento. E temos eu, Erasmo e Wanderléa falando um pouco da Jovem Guarda.
DISCO EM ESPANHOL Será lançado até março, já está praticamente finalizado. São versões em espanhol das canções do disco AMOR SEM LIMITE.
O PREÇO DO DVD Acho caro, sim, meu público é muito popular. Não sei se ele está acostumado a comprar um produto com esse preço. Mas não há o que possamos fazer, se houvesse faríamos. (Preço do DVD (R$ 70 o kit com CD, ou R$ 50 apenas o DVD) e da caixa (R$ 230).
SE EU QUISER FALAR COM DEUS Não foi por causa do TOC. Sempre olho com muita atenção as letras do que canto. Tive algumas dúvidas com relação à letra, tem coisas ali que não diria. Mas a canção é linda. (música que Gilberto Gil compôs para ele gravar mas não quis).
O MINISTRO GIL Quando Gil tomou posse, desejei que ele fizesse tudo como na música, na qual ele é maravilhoso. E ele está indo bem, equilibrado, inteligente. Gil é um cara superbacana, supermaneiro.
MUDANÇAS Claro que minha música mudou. Venho querendo dizer mais, as canções são cada vez menos ingênuas. Eu entendo um certo saudosismo com a Jovem Guarda, mas meus discos novos têm tido uma boa vendagem. Minha música foi evoluindo naturalmente. Mas meu rock era romântico, sempre fui um romântico. Em determinado momento passei a ouvir soul e achava até que cantava parecido. Quando gravei 'As curvas da estrada de Santos' tinha a pretensão de fazer o que eles faziam. Quando ouvi, não chegava nem perto (risos), mas pelo menos era o que eu podia fazer.
Discos dos anos 60 Os arranjos funcionam sempre muito bem, afinal o que é bonito, bem feito, não envelhece. Mas era difícil. Tudo era gravado em três canais. Quando você botava a voz, não podia errar. Se errasse, tinha que cortar a fita com gilete. Hoje se grava em 60, 92 canais, um para cada instrumento, a bateria tem um para cada peça. Quando a gente ouve os discos antigos, pensa: 'Puxa, a gente fazia coisas maravilhosas com os poucos recursos que nós tínhamos'. Hoje temos vários detalhes para cuidar, o que justifica a demora nos meus últimos discos (risos).
DVD Todo show que faço leva o que estou vivendo naquele momento. Neste partimos para algo mais dinâmico, tem mais ritmo, rock'n roll.
CÔNCAVO E O CONVEXO - e outras músicas proibidas Talvez volte a cantar, como canto 'Café da manhã' no DVD. A gente aprende não a superar, mas conviver com essas coisas.
TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO Melhorei razoavelmente com o tratamento, já não ando tão rasgado como antigamente (risos). Faço várias coisas que não fazia, como estar de camisa nova na coletiva (risos). Mas marrom eu não uso não (risos). E também não quero deixar de usar azul, isso não me incomoda.
CRÍTICA Leio sempre e às vezes fico muito bravo. Nem sempre a crítica é feliz. O crítico muitas vezes não entende e não diz o que deve ser dito. O crítico tem que observar além do gosto pessoal dele. Tem que saber que é um trabalho que está sendo dirigido a determinado público. Uma coisa que não concordo é que meu trabalho é repetitivo. Ele é muito variado. Tem iê-iê-iê, rock, soul, foz, que poucos usam por não ser comercial, mas que gosto muito. Vario os temas também. Sempre do meu jeito, mas vario. Acontece que eu gosto do que o povo gosta.
DISCO DE INÉDITAS No ano que vem. Acho...
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