"São tantas emoções..."; "Eu sou terrível!"; "Esse telefone que não para de tocar..."; "Meu amigo de fé, meu irmão, camarada..."; "Casamento não é papo pra mim!" Essas são apenas algumas das frases popularizadas por Roberto Carlos que desde os anos 1960 são citadas nos mais variados contextos e pelos mais diversos tipos de pessoas, fãs ou não de rock brasileiro e tivessem elas filhos e netos quando Roberto estourou nos anos 1960 ou nem fossem nascidas quando ele gravou "Detalhes".
Isso mesmo, bicho: Roberto Carlos é um dos grandes porta-vozes da cultura popular brasileira. Ele é, pura e simplesmente, o artista símbolo de seu estilo, o pop romântico brasileiro.
Roberto é também mais versátil do que pode parecer à primeira vista. Artista de música popular, participou de uma boa versão da peça erudita "Pedro e o Lobo", de Sergei Prokofiev. Tendo estourado como roqueiro, gravou boas obras de MPB compostas por ele ("Nêga", "Além do Horizonte") ou não ("Ai Que Saudades da Amélia", de Ataulfo e Mário Lago; "Acalanto", de Caymmi; "Maria Carnaval e Cinzas", de Luiz Carlos Paraná), e se revelou continuador da tradição do fox brasileiro à moda de Custódio Mesquita (1910/1945), com "Música Suave", "Emoções" e outras. Seu estilo é essencialmente uma fusão da agressividade e simplicidade do pop-rock com a marcação rítmica e a dolência da bossa nova.
Quem acha que Roberto "só foi bom na jovem guarda" costuma ter boas surpresas com pelo menos algumas de suas gravações posteriores. Artista eminentemente popular sem elitismos, Roberto tem composições gravadas com sucesso por artistas ditos chiques como Claudette Soares ("De Tanto Amor"), Gal Costa ("Meu Nome É Gal"), "Mundo Deserto", com Elis Regina, Os Mutantes ("Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo") e Mário Telles ("Não Quero Ver Você Triste") - sem falar, claro, no irmão de alma Erasmo Carlos.
"Esta é a nossa canção" Como costuma acontecer a todo bom compositor popular, o melhor da obra de Roberto passou no teste do tempo. Algumas de suas músicas que voltaram às paradas são "É Proibido Fumar", com o Skank; "Um Jeito Estúpido de te Amar", com Maria Bethânia; "Fera Ferida", com Caetano Veloso; "É Preciso Saber Viver", com os Titãs; "Mesmo Que Seja Eu", com Marina; "Além do Horizonte", com Tim Maia; "Nossa Senhora", com Chitãozinho e Xororó; "Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos"; com Fernanda Takai, e "A Volta", com o próprio Roberto.
Ele também ajudou muito a divulgar compositores então novos ou ainda não muito conhecidos, como o citado Tim Maia ("Não Vou Ficar"), Djavan ("A Ilha"), Fagner e Belchior (parceiros em "Mucuripe"), Luiz Ayrão ("Só Por Amor", "Nossa Canção") e Renato Teixeira ("Madrasta"), além de revelar para as novas gerações grandes nomes brasileiros e estrangeiros como Ataulfo Alves ("Amélia"), Dolores Duran ("Ternura Antiga"), Raul Sampaio ("Meu Pequeno Cachoeiro"), Dorival Caymmi ("Acalanto") e Carlos Gardel ("El Dia Que Me Quieras").
Do mesmo modo que os Beatles e os Stones firmaram-se também como grandes intérpretes de outros autores, "apropriando-se" de obras como "Twist And Shout" ou "Route 66", Roberto Carlos fez o mesmo com "Esqueça", "Negro Gato", "Só Vou Gostar De Quem Gosta De Mim", "Outra Vez" e tantas outras.
"Bem mais forte poder cantar" Assim como Elvis Presley, os Beatles e Michael Jackson, Roberto estourou graças a seu talento aliado a estratégias eficientes de marketing; afinal, um artista só será bem aceito se for bom, não basta ser bem divulgado.
De voz pequena porém afinada e artista carismático, Roberto é legítimo continuador da obra de cantores de massa de gerações anteriores como Orlando Silva e Francisco Alves (cujo repertório era extremamente variado e que, seguramente, só não gravou rock and roll por ter, infelizmente, falecido antes do estouro mundial deste gênero).
A TV Record, onde surgiu o programa Jovem Guarda, foi uma modernização da lendária Rádio Nacional dos anos 1940 e 1950 A cantora Celly Campello foi a primeira celebridade brasileira de massa multimeios (rádio, televisão, imprensa, publicidade, discos, bens de consumo) após o surgimento da televisão no país, e Roberto tornou-se a segunda.
Quem já teve rei nunca perde as majestades. Mesmo tendo deixado de ser monarquia em 1889, o Brasil manteve o gosto por entronar monarcas, como dois Reis da Voz (Francisco Alves e Agnaldo Rayol, o Rei do Futebol (Pelé) e pelo menos Reis do Riso (Oscarito e Tubinho). Há exatos 45 anos, no início de 1965, foi a vez de Roberto Carlos ser coroado "Rei da Juventude", no programa Clubinho da Juventude, apresentado por Fernando Zara, na Rádio Piratininga de São Paulo; em pouco tempo Roberto, agradando a público cada vez maior independente de faixa etária, tornou-se simplesmente "Rei".
Logo Roberto virou também referência de cultura popular, como atesta esse grande termômetro que é a literatura de cordel e demonstraram as paradas de sucesso, com canções como "A Garota do Roberto", de Eduardo Araújo e Carlos Imperial ("sou a garota papo firme que o Roberto falou") e "Baby", de Caetano ("você precisa ouvir aquela canção do Roberto"). Sem falar em produtos literários como livros e artigos sobre a jovem guarda, álbuns de figurinhas e histórias em quadrinhos, como este gibi criado por Rubens Cordeiro; Renato é a identidade secreta de Golden Guitar, super-herói cuja arma contra o crime é uma arma em forma de guitarra elétrica.
"Coração vai disparado, mas eu ando com cuidado" Roberto Carlos concluiu a obra iniciada por Celly de instalar definitivamente o rock na sala de visitas dos brasileiros, livrando-o das pechas de "música inconsequente de garotada" e "coisa de transviados". E ele assimilou muito bem a lição dos Beach Boys, de fazer passar mensagens "pesadas" por interpretá-las de forma leve.
Preste atenção nestes versos de "Mexerico da Candinha": "minha calça é justa/e de ver ela se assusta", além da malícia sutil de "É Meu, É Meu, É Meu" (1968) ou de "Eu Sou Fã Do Monoquini" - veja só, uma ode ao topless em 1964! Isto, guardadas as devidas proporções, é proeza comparável ao "beijo puro na catedral do amor", que Sinhô cantava em "Jura", de 1928, e foi repetido por Zeca Pagodinho nos anos 2000.
Roberto é também caso raro de artista brasileiro que soube ser ao mesmo tempo cigarra e formiga, garantindo seu futuro financeiro e conseguindo uma longa carreira que não conheceu ostracismo nem época de vacas magras após o sucesso inicial. Ele também chegou a ter editora musical, selo fonográfico e produtora próprias, além de ter sido o primeiro artista brasileiro a fretar um avião para shows em todo o Brasil.
"Onde você estiver, não se esqueça de mim" O sucesso de Roberto Carlos não se limitou ao Brasil nem à América Latina, seja como cantor, compositor ou ambos. Foi o primeiro intérprete não italiano a vencer o Festival de San Remo, além de ser o representante brasileiro do "clube" de cantores românticos latinos ao lado de Julio Iglesias, José Luis Rodrigues e outros e de várias de suas composições serem regravadas por artistas de todo o mundo.
Mesmo quem não recorda ou nunca soube seu nome como compositor sabe cantarolar "To Koritsi Toy Filoy Moy" ("Namoradinha de Um Amigo Meu", em grego - cortesia do blog estadunidense Garage Hangover www.garagehangover.blogspot.com), "Vate Al Infierno", "L'Appuntamento" ("Sentado À Beira Do Caminho") ou "Jesus Cristo" (cantada em vários idiomas com título original).
Sim, a obra de Roberto Carlos, mais que "uma brasa, mora". É assunto dos mais ricos, cheio de, ahn, detalhes tão pequenos - e outros maiores, que fizeram dele um dos principais cronistas da vida urbana no país.
MATÉRIA ENVIADA GENTILMENTE POR
LANDA,
MEMBRO DESTE PORTAL.
Falar de música é como andar num terreno escorrecadio já que, basicamente, é uma questão de gosto pessoal. A critica, no entanto, prefere falar em música popular/comercial e música de qualidade/não comercial. Eu prefiro falar de boa música e neste respeito, tanto faz ser popular ou eletizada. Em ambos os grupos há música ruim e música boa. Apenas para exemplificar, há no repertório de Chico e de Caetano, músicas que a meu ver, não tem sentido nenhum, por que usam idéias disconexas (veja o último Cd de Caetano). Você não entende absolutamente nada do que querem dizer. Outras músicas desses mesmos compositores, falam de mulheres que levam uma vida promiscua, devassa, no entanto, a critica exalta a alma feminina dos compositores (em especial do Chico). Isso não quer dizer que não tenham excelentes canções, clássicos da MPB dos quais gosto bastante. Música para mim, deve ter uma melodia agradável ao ouvido, uma boa letra, proporcinando momentos agradáveis ao escutá-la. Roberto assim como outros cantores tem algumas músicas muito agradáveis para se ouvir.
Matéria muito boa. Pena que às vezes nos esqueçamos do tamanho de Roberto Carlos e nos percamos em discussões miúdas. Roberto Carlos é um Mito, é mais que tudo. É por isso que sou seu fã desde que havia um rádio de pilha em minha casa. Faz tempo, hein!
A majestade desse rei é diferente do rei tradicional. A sua majestade vem do seu talento genial, da sua educação de berço, da sua inteligência bem empregada, da sua simpatia cativante, da sua visão profissional, do seu pioneirismo e perfeccionismo na arte que faz. Por isso lhe deram esse "tratamento" de rei e o povo o legitimou e consagrou, embora êle não se ache, nem se comporte como tal. E aí está outro grande diferencial, porque, todo rei tradicional é ostensivo e passional, esse não, é humilde e ponderado. Foi assim que êle conquistou a sua majestade. Viva o rei Roberto Carlos.
Competência, profissionalismo, muito trabalho, carisma, humildade, harmonia, paz, amor e muita fé em DEUS. Foi com esses ingredientes.
Que o nosso Astro Rei Roberto Carlos, conquistou sua magestade.
Gostaria muito, de ouvir Roberto cantando em grego, porque é uma lingua danada de falar e entender, quanto a matéria esta maravilhosa!!!!!!!!!!!!!!Parabéns LANDA.
Amigos:
Sobre el rey Roberto Carlos se pueden decir muchas cosas: críticas, alabanzas, etc. Lo cierto es que nadie puede negar que todo lo que ha logrado en su extensa y fructífera carrera no ha sido gratis. La foto es cosa aparte.
Un abrazo.
NADIA ELEONORA HUERTAS PONCE
AREQUIPA / PERÚ
realmente Roberto deveria mesclar nos shows melodias nao tao conhecidas pelo publico, esquecidas no tempo, ou no lado B dos compactos lançados....é uma grande pena, pois o tempo está passando....com relaçao a esta foto, saudades de um Roberto que nao volta mais....mas o tempo passa para todos......abraços!
A obra de Roberto é rica, é uma pena que ele a não explore como devia, e prefere quase sempre cantar mesmas músicas em seus shows, nada contra mais ele podia mesclar grandes sucessos com músicas não muito conhecidas do grande público.
Com relação a matéria da Landa ,show de bola apesar da palavra majestade estar errada , mais pra mim pouco importa, não gosto deste rótulo de rei que se criou no nosso país, mais respeito quem goste.
E o que dizer da foto então, o Roberto vestindo camisa xadrez, como ele era diferente não, até no vestir, que saudade daquele Roberto Carlos.
LUPERCIO
Isto que é materia bem escrita falando do Rei, ela se concentra na carreira dele, carreira esta unica em se falando de america latina, e concordo com tudo que esta escrito, nota 10, e referencio que o Roberto é um dos maiores pioneiros da MPB, vejamos algumas referencias Rock verdadeiramente Brasileiro antes dele era banho de lua e biquini de bolinha, no campo da Ecologia e Religiosidade, e mesmo apos o ano 2.000 fez musicas lindas para citar uma obra prima Amor sem Limites.